Existem muitas críticas sobre pesquisa eleitoral. Em sua maioria, elas se baseiam em simples achismos, percepções equivocadas e falta de conhecimento sobre o que é uma pesquisa de opinião pública. 

E, claro, a motivação dessas críticas é pouquíssima técnica e, muitas vezes, visceral, já que as pessoas podem não gostar dos resultados dos dados coletados. 

É importante frisar que os profissionais que trabalham com pesquisas eleitorais conhecem os limites desse instrumento. 

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Inferências populacionais nas pesquisas eleitorais

Toda pesquisa eleitoral busca obter informações sobre uma determinada população. Sim, existem surveys que coletam dados de toda uma população, como os censos. 

Na maioria das vezes, contudo, o que se faz é obter dados de apenas uma pequena parcela desta população, a que os estatísticos chamam de amostra. 

Se coletadas da maneira correta, seguindo os parâmetros estatísticos adequados, à pesquisa eleitoral será capaz de permitir as chamadas inferências – ou seja, concluir algo a partir dos dados coletados – populacionais a partir da amostra. 

Por exemplo, pode-se deduzir corretamente o percentual de votos de diferentes candidatos numa eleição utilizando-se, apenas, de um número reduzido de eleitores.

Só 2000 entrevistas?

Segundo dados do TSE, o Brasil tem hoje cerca de 152 milhões de eleitores. 

Com o uso de métodos amostrais adequados, uma pesquisa eleitoral pode ouvir apenas cerca de 2000 eleitores em todo país e, ainda assim, conseguir estimar corretamente o percentual de votos dos candidatos em disputa. 

Margem de erro e nível de confiança

O importante é frisar que, por ser uma amostra populacional, os dados possuem algum nível de incerteza. 

É por isso que toda amostra possui o que os estatísticos chamam de margem de erro e nível de confiança. 

Embora os nomes pareçam complicados para os não-especialistas, o entendimento é simples. 

Ao calcular o tamanho de uma amostra, como 2000 eleitores brasileiros, eu assumo, estatisticamente, que a cada 100 pesquisas que eu realizar com o mesmo questionário, no mesmo período de tempo, junto a diferentes amostras da mesma população, 95 delas estarão dentro de uma margem de erro especificada, digamos ± 2%. 

Ou seja, a pesquisa trabalha com uma margem de erro ± 2%, para um nível de confiança de 95%. 

Preparamos um artigo que pode ajudar você a entender o porque algumas pesquisas erram tanto.

Poder estatístico e incerteza

A margem de erro e o nível de confiança de uma pesquisa são importantes para se avaliar, entre outras coisas, a precisão dos dados. 

Quanto maior a margem de erro e o nível de confiança, como, por exemplo, ±3% e 90%, menor o tamanho da amostra. 

Isso, claro, implica em menores custos para a pesquisa porque serão menos questionários aplicados. 

Por outro lado, percebe-se que aumenta a incerteza em torno do dado coletado. 

De 38% a 42% versus de 37% a 43%  

Se, numa pesquisa hipotética, um candidato tem 40% das intenções de voto, esta pode estar entre 42% e 38% em 95 de 100 pesquisas realizadas, desde que a margem de erro seja de ±2% e o nível de confiança de 95%. 

Mas, se alargamos um pouco esses valores para ±3% e 90%, por exemplo, as intenções de voto, na verdade, estarão entre 43% e 37% em 90 de 100 pesquisas realizadas. 

No primeiro caso, há 5% de chances de a pesquisa não captar o dado real junto à população; no segundo, há 10% de chance. 

Além disso, o dado é menos preciso, pois a amplitude – a distância entre os valores inferiores e superiores das margens de erro – das estimativas é maior: na primeira, de 4%; e, na segunda, de 6%.

Erros nas pesquisa Eleitoral

Pesquisa eleitoral pode errar? Sim, claro, mas esse erro é na maioria das vezes, controlado. 

Dito de outro modo, ao se calcular a amostra a partir de determinados parâmetros, tem-se a exata noção do nível de incerteza, ou de imprecisão, do dado coletado. 

Contudo, por ser controlado a partir de técnicas estatísticas poderosas, sabe-se que esse tipo de informação é extremamente mais confiável do que, por exemplo, enquetes em redes sociais, que possuem não apenas um nível de incerteza impossível de se mensurar, mas também um viés amostral substantivo, já que tendem a ser respondidas apenas por um grupo específico.   

As pesquisas são enviesadas mesmo? Fizemos um artigo falando exatamente sobre isso.

Nem tudo é questão de estatística 

A qualidade de uma pesquisa eleitoral não se mede apenas pelo tamanho da amostra, a margem de erro e o nível de confiança. 

Outros aspectos importantes a se observar são: 

  • O enunciado das perguntas, pois não basta apenas saber o que se quer perguntar, mas como perguntar; 
  • As opções de resposta, pois qualquer inadequação neste quesito limita as informações que serão coletadas; 
  • O fluxo do questionário, pois a depender de como as perguntas estão organizadas, podem enviesar as respostas dos entrevistados; 
  • As entrevistas, pois conduzi-las de forma adequada é fundamental para que os entrevistados realmente respondam, de maneira sincera e atenciosa, as perguntas que lhes foram feitas. 

A ordem das perguntas importam

Vamos considerar dois exemplos práticos. 

1) Em pesquisa eleitoral, é comum se perguntar, logo no início, a intenção de voto dos entrevistados, e só depois questionar outras dimensões de avaliação. 

Naturalmente, se estas fossem feitas antes, podem enviesar as respostas posteriores. 

2) Uma entrevista de survey é, simplesmente, uma conversa que se estabelece entre um entrevistador e um entrevistado. 

Mas entrevistadores mal treinados tendem a obter pouca reciprocidade dos entrevistados – afinal, ninguém gosta de uma conversa arrastada –, o que abre margem para que respondam à pesquisa de maneira desatenta, sem pensar minimamente nas respostas ou, até mesmo, recusando-se a respondê-las.  

Uma parte importante de uma pesquisa eleitoral são os questionários, por esse motivo pode ser que esse artigo vá ao econtro perfeito para quem quer se aprofundar ainda mais em pesquisa eleitoral. 

 

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