Entrevistas em profundidade é uma técnica de pesquisa qualitativa. 

O pesquisador tende a fazer mais perguntas abertas (sem opção de múltipla escolha) porque o objetivo é fazer com que o entrevistado fale amplamente sobre o assunto que está sendo investigado.  

As entrevistas em profundidade podem ser feitas com líderes de opinião ou com pessoas comuns. 

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E as perguntas podem explorar seus desejos, crenças e vivências. Por exemplo, é possível investigar a rotina jornalística entrevistando alguns jornalistas. 

Ou examinar o que pensa a classe política entrevistando alguns parlamentares. Além disso, a entrevista em profundidade pode ter muitos níveis de estruturação. 

O pesquisador pode estabelecer um roteiro fixo de perguntas ou pode criar um roteiro mais flexível, no qual ele possa inserir novos questionamentos ao longo da conversa. Conheça alguns trabalhos que usam essa técnica metodológica.

Você sabe dizer o que é uma pesquisa qualitativa? Se a sua resposta for não, saiba que existe um artigo falando apenas sobre isso.

Pesquisa qualitativa e exemplos de trabalhos que usam entrevistas em profundidade

Exemplo 1: Entrevistas em profundidade nos partidos políticos

Entrevistas semiestruturadas foram utilizadas por Jamil Marques e Aline Carneiro no trabalho “Corações, mentes e estratégias: a relação entre “marqueteiros” e políticos durante as eleições de 2012 em Fortaleza”.

Eles entrevistaram cinco agentes da campanha do PT: o próprio candidato, a presidente do partido e três profissionais responsáveis pela comunicação. 

A técnica qualitativa ajudou os autores a entenderem como os agentes do campo político e do campo da comunicação trabalham em conjunto. O artigo foi publicado na Revista de Sociologia e Política.

Conclusão: O Lula é tão importante assim?

Nas campanhas municipais em 2012, marqueteiros e líderes políticos não discordavam sobre a importância do Lula nas campanhas municipais. 

Todos os entrevistados acreditavam que insistir na imagem pessoal de Lula era fundamental para garantir a vitória em Fortaleza.  

Entrevistas em profundidade e extremismo de direita

As entrevistas em profundidade foram utilizadas por Philip Baugut e Katharina Neumann no artigo  “How Right-Wing Extremists Use and Perceive News Media Journalism”.

Eles queriam entender o que os grupos de extrema direita pensam sobre as organizações de mídia e como utilizam as plataformas de comunicação. 

Para isso, entrevistaram sete ex-integrantes de grupos extremistas da Alemanha. O artigo foi publicado na revista internacional Journalism & Mass Communication Quarterly e já foi discutido no blog do Ibpad. 

Os Extremistas consideram a mídia tendenciosa

E todos os entrevistados chegaram a exercer cargos de liderança dentro dos movimentos. 

Eles consideram a cobertura midiática sobre o extremismo de direita tendenciosa e hostil. 

Assim, uma das responsabilidades dos líderes era escolher notícias “confiáveis” que poderiam ser consumidas pelos integrantes do grupo. 

Conheça todas as ferramentas utilizadas na pesquisa qualitativa clicando aqui.

Entrevistas em profundidade e políticas públicas

As entrevistas em profundidade também podem esclarecer como são implantadas as políticas públicas. 

Antonio Teixeira entrevistou alguns dos responsáveis técnicos pelos projetos de transparência do Senado Federal. 

O título do artigo é “O projeto de transparência do Senado Federal: entre a accountability e a propaganda política” e ele foi publicado na Revista Sociologias 

Separamos 5 conteúdos especiais para você aprender mais sobre pesquisa qualitativa.

Conheça a importância da pressão midiática para a transparência

Em maio de 2013, aconteceu o relançamento do Portal de Transparência do Senado Federal. 

De acordo com os entrevistados, o projeto foi impulsionado pela pressão midiática, que se intensificou após o escândalo dos atos secretos, usados para nomear parentes e aumentar salários. 

Entretanto, ao contrário do que dizia o então presidente do Senado, Renan Calheiros, a política pública não era inédita, mas apenas a reestruturação interna de um sistema que já existia.

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