A elaboração de um questionário de pesquisa quantitativa é, evidentemente, uma etapa fundamental para o sucesso do pesquisador.

         Antes de se debruçarem sobre esse assunto, no entanto, os professores Antonio José Manzato e Adriana Barbosa Santos, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), apresentaram definições e categorias para quem está começando no mundo das pesquisas. Vamos a elas?

Elaborando o seu questionário de pesquisa quantitativa

Os 3 principais tipos de pesquisa

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         O primeiro conceito que a dupla apresenta no artigo A Elaboração de Questionários na Pesquisa Quantitativa é o de pesquisa: “uma atividade voltada para a solução de problemas teóricos ou práticos com o emprego de processos científicos”.

Em seguida, os autores a dividem em 3 tipos principais, de acordo com o procedimento adotado.

Tipo 1 – Pesquisa Bibliográfica:

          O problema é explicado a partir de referências teóricas que já foram publicadas em documentos. Também é possível utilizar esse procedimento em auxílio aos outros 2 principais tipos de pesquisa.

Tipo 2 – Pesquisa Descritiva:

          Possui caráter observacional, já que as variáveis são analisadas e correlacionadas, mas não manipuladas. Suas principais técnicas de coleta de dados são a entrevista, o questionário e o formulário.

         Busca classificar, explicar e interpretar fenômenos, seja ela feita em campo ou em laboratório. Os subtipos da pesquisa descritiva são: estudos descritivos, pesquisa de opinião, pesquisa de motivação, estudo de caso e pesquisa documental. 

Tipo 3 – Pesquisa Experimental: 

          Há uma manipulação das variáveis, o que proporciona ao pesquisador conhecer a relação causa/efeito do objeto de estudo. Busca responder como e por que o fenômeno ocorre.

         Ainda que possa ser realizada em campo, a pesquisa experimental é mais comum em contexto de laboratório.

Você sabe quais são as 3 principais metogologias de pesquisas eleitorais? Se você tiver interesse, esse pode ser um conteúdo de alto valor.

Classificação: pesquisa qualitativa, pesquisa-ação e pesquisa quantitativa.

         Os professores destacam que a pesquisa qualitativa, embora possa auxiliar a quantitativa e ser um elemento informativo valoroso, é polêmica por não poder ser mensurada estatisticamente. 

          A aplicação da pesquisa-ação, por sua vez, está associada a uma ação ou à resolução de um problema coletivo. Há cooperação entre pesquisadores e participantes. Estes últimos participarão do processo várias vezes ao longo do tempo, fazendo com que os resultados mudem constantemente.

          Já a pesquisa quantitativa é utilizada, em geral, para medir opiniões, reações, sensações, hábitos, atitudes. Tem como base uma amostra representativa do público-alvo, o que não exclui a possibilidade de ser usada em conjunto com indicadores qualitativos.

Amostragem não probabilística e probabilística

          A amostragem não probabilística pode decorrer da intenção do pesquisador, de contingências que tornem impossível a realização de outra forma, ou podem ser, simplesmente, um erro amostral.

         Em muitas situações, os efeitos de uma amostra não probabilística são equivalentes aos de uma amostra probabilística, por isso não convém desprezar as pesquisas não probabilísticas.

          Na amostragem probabilística, todos os elementos da população têm probabilidade conhecida – e diferente de zero – de pertencer à amostra.

         As principais técnicas de amostragem probabilística são: casual simples, sistemática, por meio de conglomerados, estratificada e múltipla.

Questionários na pesquisa quantitativa

          Os questionários na pesquisa quantitativa devem começar pela identificação do entrevistador e da empresa para a qual trabalha. Depois, deve haver espaço para nome e outras informações sobre o entrevistado, de acordo com os objetivos do estudo.

         Em seguida, é comum que haja “filtros” eliminatórios nos questionários.

         Ou seja, questões que restringem o universo a ser pesquisado de acordo com características exigidas do estudo. Ex: Donas de casa que pertençam a classe “A”, entre 35 e 45 anos e que não trabalhem fora (4 filtros).

          As perguntas do questionário na pesquisa quantitativa devem ser claras e objetivas, porque o entrevistado contará apenas com elas: não poderá ter explicações adicionais do pesquisador.

         Questões para confirmação ou checagem de resposta são recomendadas, assim como o uso parcimonioso de perguntas abertas em detrimento de questões fechadas.

         É recomendável, ainda, que o pesquisador teste antes o questionário com pelo menos 20 pessoas (pesquisa-piloto ou pré-teste), para corrigir eventuais problemas.

          As dicas dos professores relativas à construção dos questionários na pesquisa quantitativa voltam-se, sobretudo, ao contexto da pesquisa realizada em campo, presencialmente e conduzida por um aplicador/entrevistador.

         Considerando isso, vamos conhecer algumas diretrizes para o planejamento de questionários de pesquisa quantitativa:

  1. Explique (em texto acompanhando o questionário ou verbalmente, se for uma entrevista) por que e para quem a pesquisa é conduzida. 
  2. Garanta a confidencialidade das pessoas, reforce a importância da resposta de cada entrevistado e dê a ele a possibilidade de entrar em contato (por e-mail, por exemplo) caso deseje mais informações sobre o estudo. Podem ser oferecidos incentivos – como resumos antecipados dos resultados;
  3. Faça uma boa diagramação e dê instruções;
  4. Examine as questões com cuidado, para garantir que elas correspondem aos objetivos da pesquisa e que são capazes de testar suas hipóteses;
  5. Use linguagem simples, sem ambuiguidade, e seja breve;
  6. Leve em conta a capacidade das pessoas de saber ou se lembrar de algumas informações. 
  7. Não induza a respostas ou faça suposições;
  8. Tome cuidado com perguntas invasivas, embaraçosas (como idade, bebida, sexo);
  9. Lembre-se de que a ordem em que as perguntas são feitas importa. Forneça uma sequência lógica que diminua o risco de introduzir tendenciosidade;
  10. Evite questões que na verdade escondem várias perguntas em um só enunciado, pois isso dificulta a resposta dos entrevistados e a análise do resultado;
  11. Verifique se a questão simplifica excessivamente uma questão complexa. Exemplo: “Você acha que problemas ambientais são mais importantes do que problemas do Terceiro Mundo?
  12. Seja claro nas perguntas sobre frequência. Se você deseja saber quantas vezes no último mês o entrevistado fez tal coisa, a redação da questão não pode ser apenas “com que frequência você fez tal coisa?”
  13. Tome cuidado com a tendência do entrevistado de concordar com o pesquisador. Exemplo: 59,6% dos entrevistados concordaram com a frase “a”: “As pessoas são mais culpadas dos que as condições sociais pelo crime e não cumprimento da lei no Estado. ” Mas apenas 43,2% discordaram da frase “b”:  “As condições sociais são mais culpadas do que as pessoas pelo crime e não cumprimento da lei no Estado”.
  14. Selecione com cuidado o perfil dos entrevistadores. Exemplo: pense em como idade, sexo, modo de vestir de um entrevistador podem afetar as respostas dadas no pátio de uma escola por adolescentes a um questionário sobre o uso de drogas.

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