Pesquisa qualitativa: Etnografia

A etnografia é uma técnica observacional qualitativa muito utilizada por antropólogos e sociólogos. 

Ela ocorre a partir da imersão do pesquisador no seu objeto de estudo. Ou seja, o pesquisador passa um período observando o grupo social investigado. 

Por exemplo, uma pesquisa que etnográfica pode examinar a juventude de uma determinada comunidade rural. 

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Para isso, o pesquisador precisa conviver com esses jovens e observar seus comportamentos, suas tradições familiares, seus recursos financeiros, sua vida escolar etc.

Um artigo completo sobre pesquisa qualitativa está pronto para você, lá contém um conteúdo completo sobre o assunto.

Pesquisa qualitativa e exemplos de trabalhos que utilizam etnografia 

Exemplo 1: Etnografia de pessoas em situação de rua

No artigo “Provações corporais: uma etnografia fenomenológica entre moradores de rua de Paris”. 

Daniel Cefaï estuda a interação entre pessoas em situação de rua que vivem na cidade de Paris e agentes do Samusocial de Paris (organização não governamental que atende esse público). 

O artigo foi publicado pela Revista Lua Nova

Conclusão: A importância da interação pessoal

O atendimento de emergência do Samusocial de Paris precisa focar nos corpos das pessoas em situação de rua. Alimentar, hidratar, evitar a hipotermia e demais enfermidades é o objetivo do atendimento. 

Contudo, mostra se que a relação entre agentes e a população de rua vai além disso. 

As relações são permeadas por emoções. “Eles [os agentes] aplicam procedimentos, mas também têm a capacidade de experimentar as situações pessoalmente, de usar, à flor da pele, os sentidos e o bom senso”.

Etnografia da população indígena da Amazônia

Juarez Pezzuti e Rodrigo Chaves fazem uma etnografia dos índios Deni para entender como eles fazem uso dos recursos naturais da região. 

O artigo “Etnografia e manejo de recursos naturais pelos índios Deni, Amazonas, Brasil” foi publicado pela Revista Acta Amazônica

Resultado: Nomadismo dos índios Deni

Os Deni vivem da caça, da pesca e da agricultura, mas se deslocam periodicamente para evitar o esgotamento local de recursos. 

A média de ocupação de uma aldeia não costuma passar de cinco anos. 

Os deslocamentos também ocorrem quando as populações são acometidas por doenças levadas pelos brancos (tuberculose, pneumonia etc.). 

Exemplo 3: Etnografia dos usuários de crack

No artigo “Etnografia da cracolândia: notas sobre uma pesquisa em território urbano”, Rubens Adorno e colegas fazem uma etnografia da cracolândia em São Paulo. O artigo foi publicado na Revista Saúde e Transformação Social

Conclusão: Etiquetas sociais e a importância da alimentação

A etnografia encontrou alguns comportamentos que visavam manter uma certa etiqueta social.

Os usuários camuflam o cachimbo ou não fumam crack na presença de crianças ou de agentes externos (agentes de saúde, agentes sociais, jornalistas e pesquisadores). 

Há também uma ideia de que a alimentação adequada ajuda a controlar o vício. Ou seja, comer diminui a vontade de usar a próxima pedra.

Pesquisa qualitativa: Etnografia digital

E se a etnografia já foi uma técnica restrita a antropólogos e sociólogos, hoje ela é utilizada por pesquisadores de outras áreas, como a Ciência Política. 

E isso ocorre principalmente porque muitos trabalhos vêm associando ela com o ambiente digital. 

Ou seja, uma nova técnica observacional qualitativa vem sendo empregada: a etnografia digital (também chamada de netnografia). 

Com tantos dados disponíveis na internet, os pesquisadores estão observando os grupos sociais que desejam estudar nos ambientes digitais. 

Blogs, grupos de discussão no Facebook, aplicativos de vídeos curtos podem render pesquisas etnográficas. 

E, ao contrário do que ocorre com a etnografia clássica, na etnografia digital, a interferência do pesquisador na rotina do grupo tende a ser nula. 

Ela também pode ajudar na continuidade de pesquisas que foram interrompidas ou modificadas com a pandemia da Covid-19. 

A nova rotina de cuidados permanentes torna as metodologias digitais ainda mais importantes. Saiba mais sobre isso aqui.

Pesquisa qualitativa e exemplos de trabalhos que utilizam etnografia digital

Exemplo 1: Etnografia digital e feminismo

A etnografia digital foi utilizada por Bianca Zarpellon e Kátia dos Santos no artigo “Ciberativismo: efeitos do discurso feminista a partir de uma etnografia digital”. 

As autoras queriam entender como o movimento feminista produz suas práticas discursivas em ambientes digitais. 

Para isso, elas investigaram o blog Escreva Lola Escreva e a página do Facebook Feminismo sem demagogia. O artigo foi publicado na Revista Interletras.

Resultado da pesquisa: Ambiente feminista facilita a troca de informações

A etnografia digital dos ambientes feministas mostra que a internet facilita a troca de informações entre as mulheres participantes. 

Mas como as páginas possuem grande alcance, as participantes também sofrem ameaças e discursos de ódio de pessoas que não concordam com as publicações. 

Exemplo 2: Etnografia digital e identidade LGBTI+

A etnografia digital foi a técnica metodológica escolhida por Yuri Estevão-Rezende no artigo “Gay de direita deveria nascer hétero: essencialização identitária e discursos entre LGBT+ no Facebook”. 

Ele passou três meses acompanhando um grupo do Facebook destinado a pessoas LGBTI+. 

A intenção do pesquisador era entender as identidades partidárias e ideológicas desse grupo social. O artigo foi publicado na Revista Eletrônica de Ciências Sociais

Conclusão: pesquisa Identidade sexual e ideológica

O texto mostra que a sexualidade ou a identidade LGBTI+ não está vinculada a um determinado posicionamento ideológico (para a esquerda ou para a direita).

Pessoas LGBTI+ podem se identificar com a direita, com o capitalismo e até mesmo com o conservadorismo. 

É necessário levar em conta que a sexualidade e a identidade de gênero se relacionam com outros marcadores sociais, como raça, classe social e geração.

Exemplo 3: Etnografia digital no TikTok

Andreas Schellewald escolheu a etnografia digital para examinar as práticas comunicativas do TikTok. 

Ou seja, nesse caso, a intenção do autor não era examinar um grupo social específico, mas as características do aplicativo. 

Para isso, ele explorou os vídeos do TikTok por seis meses. Os resultados do trabalho detalham as linguagens e as estéticas presentes no aplicativo. 

O nome do texto é “Communicative Forms on TikTok: Perspectives From Digital Ethnography” e ele foi publicado na International Journal of Communication

Conclusão: O Tiktok não é só entretenimento

Ao contrário do que muitos pensam, o TikTok não se resume a entretenimento rápido, simples e viciante. 

O aplicativo tem uma estrutura muito dinâmica e está aberto aos mais diversos tipos de conteúdo. 

Novos estudos precisam investigar melhor como as pessoas – de baixo para cima – conseguem interagir com os algoritmos da plataforma e receber os vídeos que mais as interessam.

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