O IBPAD, em parceria com a Môre Design, lançou o estudo IA no Design 2025: adoção, impacto e maturidade, um panorama inédito sobre como a inteligência artificial está impactando o trabalho de designers em todo o país.
Com 823 profissionais entrevistados, o estudo combina análise estatística com perspectivas qualitativas de especialistas do setor. Ao todo, são dados que vão além de medir o uso de ferramentas: eles revelam o que essa transformação significa para o cotidiano de quem cria.
Como designers brasileiros estão usando inteligência artificial no trabalho
De forma bastante expressiva, 94% dos designers brasileiros já incorporaram a IA ao trabalho, e 66% usam essas ferramentas diariamente. O ChatGPT lidera em adoção, com 89% de reconhecimento entre os entrevistados, seguido pelo Gemini (82%) e pelo Figma AI (68%).
Em termos de uso, a IA já atua principalmente na escrita e revisão (82%), na ideação e brainstorming (67%) e na pesquisa de referências (56%). De maneira geral, os profissionais enxergam a tecnologia como suporte ao processo criativo, e não como substituto dele.
No que diz respeito ao impacto percebido, para 69% dos profissionais ele ainda é incremental. Para 21%, já é transformador. Apenas 1% não percebe nenhuma mudança, o que confirma que a IA já se tornou parte do dia a dia do setor.
O descompasso entre uso de IA e investimento das empresas
Ao mesmo tempo em que os profissionais avançam, as empresas ainda buscam o seu caminho. Enquanto 94% dos designers já usam IA, apenas 42% trabalham em organizações que investem oficialmente nessas ferramentas. Na prática, mais da metade dos profissionais usa versões gratuitas ou paga do próprio bolso.
Em termos de governança, o cenário também chama atenção: 4 em cada 10 designers utilizam IA sem nenhuma diretriz da empresa, sem orientação sobre uso responsável, LGPD ou propriedade intelectual.
Os dados apontam ainda uma diferença significativa entre ambientes com e sem diretrizes. Em empresas que já estabeleceram orientações claras, 72% dos profissionais percebem alta maturidade no uso da IA. Nas que não oferecem nenhuma orientação, esse índice cai para 28%.
O futuro da IA no design: perspectivas dos profissionais brasileiros
Em relação ao futuro, 53% dos profissionais se dizem otimistas. E, de acordo com o estudo, há uma correlação direta entre capacitação e esse otimismo: quem buscou capacitação por conta própria tem quase o dobro de chances de se declarar otimista em comparação com quem não quer se capacitar.
Vale destacar que a capacitação no setor ainda é predominantemente autodidata. Ao todo, 51% dos designers aprenderam por iniciativa própria, enquanto apenas 14% receberam treinamento promovido pela empresa.
No que se refere às expectativas, os profissionais não esperam que a IA substitua a criatividade. Esperam que ela libere tempo para estratégia, para decisão e para o pensamento crítico, que são competências que o estudo aponta como centrais para o novo perfil do designer.
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