No Brasil, falar de finanças deixou de ser assunto apenas para especialistas: virou pauta do dia a dia nas redes sociais. Nesse cenário, o projeto Finfluence — fruto da parceria entre ANBIMA e IBPAD — cumpre um papel estratégico: mapear, analisar e dar visibilidade à forma como os influenciadores digitais atuam no universo financeiro.
A cada seis meses, o Finfluence entrega não apenas métricas de audiência e engajamento, mas uma fotografia da cultura financeira digital brasileira, com tudo o que isso implica de oportunidades, riscos e responsabilidades.
O que é o Finfluence
O nome já revela a essência: finance + influence. Mas o valor desse estudo vai além de medir quem fala sobre dinheiro online.
- É um observatório digital que acompanha influenciadores de finanças nas redes (Instagram, Facebook, YouTube, X) em tempo contínuo, por meio de robôs e ferramentas avançadas de inteligência de dados.
- Ele identifica quem são, o que falam, em que redes atuam, com que frequência, qual o engajamento, além de temas mais debatidos (ações, bets, criptomoedas, renda fixa, etc).
- Traz transparência sobre os debates que circulam nas redes sociais dos influenciadores, como indicações a produtos financeiros, boas práticas e educação financeira digital.
Principais descobertas e evolução
A cada edição do Finfluence, notam-se tendências consistentes de crescimento, diversificação e amadurecimento no ecossistema dos “finfluencers”. Vejamos alguns marcos:
Crescimento quantitativo e qualitativo
- Na 8ª edição (dados do 2º semestre de 2024), foram monitorados 741 influenciadores com 1.662 perfis nas redes sociais, com mais de 394,5 mil publicações no semestre.
O engajamento médio por post atingiu 2.965 interações, número recorde desde o início do projeto.
A audiência somada desses influenciadores ultrapassou 263,5 milhões de seguidores.
Em edições anteriores, já se observaram aumentos em perfis, seguidores e interações: por exemplo, na 7ª edição, cada post chegou a média de 2.443 interações, alta de 33,7% frente ao período anterior.
Perfil e comportamento: pessoas físicas ou corporações
O Finfluence adota uma metodologia que diferencia pessoas físicas e perfis corporativos dentro do universo da influência financeira, reconhecendo que ambos exercem papéis complementares, mas com naturezas distintas dentro do ecossistema do mercado de capitais. Essa separação permite observar como indivíduos e instituições constroem autoridade e moldam percepções sobre o mercado financeiro nas redes sociais.
Ao segmentar a análise entre esses dois grupos, o estudo oferece uma visão mais precisa sobre as estratégias de comunicação e engajamento adotadas por cada um. Essa abordagem permite identificar não apenas diferenças de formato e frequência de publicação, mas também o tipo de relação que cada perfil estabelece com o público.
As edições do FinFluence
O Finfluence já teve oito edições ao longo de seis anos, cada uma dedicada a analisar o período correspondente do ecossistema de influenciadores digitais. São elas:
- Edição 1: Os influenciadores digitais de investimento são um fenômeno ascendente no Brasil. Estreia da pesquisa que buscou entender quem são, como se comportam, qual é o nível de influência sobre suas audiências e quais são as principais temáticas exploradas por esses influenciadores no Instagram, X, YouTube e Facebook. O material foi um levantamento inédito no mercado brasileiro sobre esse universo. Começamos monitorando 266 influenciadores e 160 mil publicações.
- Edição 2: Quem são os influenciadores, o nível de influência e os principais temas abordados nas redes sociais. Edição especial em que foram analisadas cerca de 406 mil postagens públicas realizadas entre fevereiro e dezembro de 2021 em perfis de 277 influenciadores. Foi também nesta edição que fizemos o lançamento do ranking de influenciadores com metodologia proprietária para medir a influência desses personagens. Foram feitos cruzamentos entre as diferentes plataformas e cálculos estatísticos dos critérios de popularidade, autoridade, articulação, comprometimento e engajamento médio das redes ativas de cada influenciador.
- Edição 3: Escutando a demanda dos finfluencers, atualizamos a metodologia de ranqueamentos, passando a fazer avaliações individuais dos perfis em cada uma das quatro redes monitoradas – e não mais por tipologia de influenciador. Os rankings gerais também se transformaram e passaram a separar os melhores influenciadores pessoa física e os de empresas.
- Edição 4: Os influenciadores de investimento ganham cada vez mais relevância no mercado financeiro. De maneira inédita, analisamos o conteúdo das publicações dos influenciadores para entender se o tema “diversidade e inclusão” é tratado pelos influenciadores e de que forma se dá essa abordagem. Além disso, dedicamos um capítulo especial para observar TikTok de forma a começar a entender como o setor se beneficia também dessa plataforma.
- Edição 5: Atração crescente que os influenciadores e seus conteúdos nas mídias sociais exerceram sobre um público constante. Diante da crescente relevância dos finfluencers na difusão da educação financeira, do dinamismo desse segmento, do aumento de microinfluenciadores e da mudança nas temáticas abordadas, também ampliamos nosso olhar sobre esses players. Desta forma, a quantidade de finfluencers registrou um boom entre as edições 3 e 4 – passando de 255 para 515!
- Edição 6: Influenciadores com públicos ainda mais engajados. Dos 534 influenciadores ativos, 64% eram homens (340), 24% empresas (128) e 12% mulheres (66). Elas com uma média de seguidores 21% maior que a dos homens, mas com eles as superando em quantidade de publicações (8,8 vezes mais) e em engajamento médio (19% maior). O material foi insumo estratégico para a criação do “Tá na rede: manual ANBIMA de melhores práticas para finfluencers”, um material de apoio que reúne boas práticas para produção de conteúdos, principalmente na hora de fazer publicidade sobre investimentos.
- Edição 7: influenciadores empenhados em oferecer conteúdos educativos e antenados com o que acontece no mercado. No semestre, um exemplo do viés educativo dos influenciadores foi a preocupação sobre as polêmicas apostas online. Os finfluencers assumiram papel educativo sobre as bets ao explicar a origem e informar os riscos envolvidos, de perdas financeiras e de saúde mental.
- Edição 8: Influenciadores alcançam engajamento médio em número recorde. O volume de posts nas quatro redes cresceu 18% e o número de influenciadores monitorados também aumentou 30%, chegando a 741 perfis. O engajamento atingiu novo recorde, com quase 3 mil interações médias por post — alta de 21% em relação ao FInfluence 7 e de 216,4% frente à primeira edição. Destaque ainda para os perfis corporativos, que ampliaram seu engajamento em 34,4%.
- Edição 9: Influência financeira bate recorde de escala e entra em fase de maior seletividade do público. O Finfluence registrou 1,18 bilhão de interações e 803 influenciadores ativos, maior patamar da série histórica. Apesar do crescimento de audiência e publicações, o engajamento médio por post caiu 8,3%, indicando atenção mais fragmentada. O YouTube se consolidou como principal plataforma de finanças, as criptomoedas lideraram em menções, enquanto os fundos de investimento passaram a gerar mais engajamento.
Edição 10: Cinco anos depois, a influência financeira se consolida como um ecossistema cada vez mais amplo e diversificado. O FInfluence alcançou 904 influenciadores monitorados, 310,7 milhões de seguidores e 1,3 bilhão de interações, reforçando o crescimento das conversas sobre investimentos nas redes sociais. No semestre, os produtos financeiros voltaram ao centro das discussões, com as ações retomando a liderança em menções, enquanto fundos de investimento, renda fixa, ouro e FIIs se destacaram em engajamento. A edição também trouxe uma análise especial sobre a evolução dos conteúdos de fundos nos últimos cinco anos e ampliou a transparência dos rankings ao destacar influenciadores com certificações do mercado financeiro.