Nos últimos anos, os influenciadores de finanças deixaram de ser uma tendência e se consolidaram como atores importantes no ecossistema de informação financeira no Brasil. A 8ª edição do relatório FInfluence, desenvolvido pela ANBIMA em parceria com o IBPAD, mostra que o mercado está mais maduro, diverso e competitivo do que nunca.

Um setor em expansão constante

Entre julho e dezembro de 2024, o número de influenciadores financeiros monitorados cresceu 30%, totalizando 741 nomes. Juntos, eles movimentaram mais de 394 mil publicações nas principais redes sociais (YouTube, Instagram, X e Facebook). O alcance combinado ultrapassou os 263 milhões de seguidores, um aumento de 256% desde a primeira edição do estudo, em 2021.

Esse crescimento não vem só em quantidade: o engajamento também subiu. A média de interações por post chegou a 2.965, estabelecendo um novo recorde.
Plataformas: onde o público está (e interage)

O YouTube segue como a estrela do engajamento. Vídeos publicados por influenciadores geraram, em média, 10.816 interações. O Instagram também teve bom desempenho, com crescimento de 15,8% no engajamento. Já o Facebook manteve sua tendência de queda nesse aspecto, apesar do aumento no número de publicações.

A rede X (antigo Twitter) sofreu um impacto importante com a suspensão temporária no Brasil no final de agosto. Isso reduziu seu volume de publicações e engajamento, mas ainda concentra a maioria dos posts entre os influencers.

Pessoas físicas vs. empresas: formatos e resultados

Os influenciadores pessoa física ainda lideram em número e engajamento. Representam 77,8% dos perfis e registraram, em média, 3.600 interações por post. No entanto, os perfis corporativos vêm ganhando espaço. Empresas ampliaram seu engajamento em 34,4%, apostando em conteúdos informativos e visualmente atraentes, principalmente no YouTube.

A diferença de performance entre PJs e PFs está diminuindo. Marcas estão aprendendo a conversar com o público de forma mais eficaz nas redes.

Temas que dominaram a conversa

O destaque do semestre foi o pacote fiscal anunciado pelo governo. O tema gerou 7.218 menções, com média de 5.385 interações por post, um engajamento altíssimo. Os influenciadores pessoa física se destacaram nesse debate com uma abordagem mais crítica, enquanto as empresas optaram por conteúdos mais técnicos e informativos.

Além disso, produtos financeiros voltaram a ser pauta constante. Ações lideraram em número de menções, mas quem mais engajou foram os produtos de renda fixa (CDB, LCI, LCA), com 10,1 mil interações médias por post, reflexo do cenário de juros altos e de um comportamento do brasileiro, que tende a ser mais cauteloso com seus investimentos.
As casas de apostas, ou bets, também continuam sendo pautas no universo financeiro digital, embora com menor volume. Foram 489 menções no semestre, feitas por 120 influenciadores, o que representa uma queda em relação ao período anterior. Apesar disso, o tema alcançou um engajamento médio expressivo de 5.300 interações por publicação, número próximo ao registrado no debate sobre o pacote fiscal. O tom das postagens foi predominantemente informativo ou crítico, com foco nos riscos financeiros e nas discussões sobre regulamentação. 

Produtos em destaque: o público quer segurança

Os influenciadores de finanças mantiveram um volume expressivo de publicações sobre produtos de investimento. No segundo semestre de 2024, ações e criptomoedas foram os temas mais mencionados, com destaque para o bitcoin, que se aproximou da marca de 100 mil dólares durante o período. No entanto, apesar da alta frequência desses assuntos, eles não foram os que mais mobilizaram o público. O engajamento em torno das criptomoedas, por exemplo, cresceu, mas permaneceu abaixo de outras categorias mais tradicionais.

O grande destaque em termos de engajamento foram os produtos de renda fixa, como CDB, LCI, LCA e Tesouro Direto. Esses conteúdos registraram uma média de 10,1 mil interações por post, superando com folga outras classes de ativos. Essa preferência aponta para um comportamento mais cauteloso e conservador por parte da audiência, que busca alternativas seguras para proteger seu dinheiro da inflação e da instabilidade do mercado. 

Os influenciadores, atentos a esse movimento, têm adaptado suas estratégias para atender a essa demanda por previsibilidade e segurança nas finanças.

Uma nova fase: profissionalização

Mais do que falar de investimentos, os influenciadores hoje disputam a atenção do público com conteúdos mais estratégicos, planejados e especializados. Muitos passaram a postar com menos frequência, mas focando em relevância e qualidade

O movimento é claro: influenciar exige preparo, responsabilidade e, cada vez mais, certificação técnica.

A partir desta edição, a ANBIMA iniciou uma análise qualitativa do conteúdo dos perfis presentes nos rankings com intuito de garantir a conformidade de suas publicações, fortalecendo a credibilidade do ecossistema e orientando o público sobre o que está sendo falado.

A 8ª edição do FInFluence não deixa dúvidas

O universo dos influenciadores de finanças está em transformação constante. A profissionalização avança, as plataformas se diversificam e o público está cada vez mais exigente e participativo.

Em um cenário econômico volátil, com juros altos, reformas e incertezas políticas, a busca por informação financeira confiável cresce e influenciadores PFs e PJs se adaptam às buscas dos públicos.