A 9ª edição do FInfluence, relatório produzido pela Anbima em parceria com o IBPAD, mostra que a influência financeira nas redes sociais alcançou um novo patamar no primeiro semestre de 2025. O estudo registrou 1,18 bilhão de interações, o maior volume desde o início do monitoramento, refletindo a consolidação do ecossistema de influenciadores financeiros no Brasil.

Ao todo, foram monitorados 803 influenciadores ativos, responsáveis por 432,7 mil publicações nas principais plataformas digitais, como X, YouTube, Instagram e Facebook. Esses conteúdos alcançaram 287,8 milhões de seguidores. Apesar do crescimento em escala, o relatório aponta uma queda inédita de 8,3% no engajamento médio por publicação, indicando uma audiência mais seletiva e criteriosa no consumo de informações sobre investimentos.

YouTube se consolida como principal plataforma de conteúdo financeiro

Entre as redes sociais analisadas, o YouTube se consolidou como a principal plataforma para conteúdos sobre finanças pessoais e investimentos. A rede apresentou crescimento em todas as métricas avaliadas, inclusive no engajamento médio, que subiu 7,6%, alcançando 11,6 mil interações por vídeo. O resultado reforça a preferência do público por conteúdos mais aprofundados, didáticos e explicativos.

O X voltou a concentrar a maior parcela das publicações, com 40,3% do total, mas apresentou queda significativa no engajamento médio. O Instagram registrou aumento no número de influenciadores e seguidores, porém enfrentou retração nas interações, especialmente em conteúdos ligados à economia e à política. Já o Facebook manteve relevância como espaço de divulgação de conteúdos corporativos.

Criptomoedas lideram menções e fundos de investimento concentram engajamento

No recorte dos produtos financeiros, as criptomoedas foram o tema mais mencionado no semestre, com crescimento de 27,5% nas citações, impulsionado pela valorização do bitcoin, que superou a marca de 100 mil dólares em maio de 2025. Apesar da liderança em volume de menções, esse produto não foi o que mais engajou o público.
Pela primeira vez na série histórica do FInfluence, os fundos de investimento lideraram o engajamento médio, com cerca de 12 mil interações por publicação. O relatório aponta que atributos como diversificação e gestão profissional podem ter contribuído para esse resultado, além de ações de comunicação voltadas à ampliação da cultura de investimento.

Metodologia inovadora destaca a jornada da audiência

Um dos principais diferenciais da 9ª edição do FInfluence está na abordagem metodológica. Nesta edição, o relatório amplia a análise para além do semestre e apresenta a jornada de interesse da audiência desde 2020, mostrando como o comportamento do público em relação aos conteúdos financeiros evoluiu ao longo do tempo.

O estudo analisou uma base histórica de mais de 860 mil publicações e combinou análise de dados com técnicas de inteligência artificial para responder perguntas estratégicas sobre a jornada da audiência. Essa abordagem permitiu identificar diferentes níveis de maturidade do público, desde o consumo de conteúdos introdutórios até a demanda por análises mais técnicas, estratégicas e aprofundadas.

Os dados indicam que, ao longo dos últimos cinco anos, a audiência migrou de um consumo mais imediato e reativo para uma busca maior por conteúdos didáticos, aplicáveis e conectados à tomada de decisão no dia a dia do investidor. Esse movimento ajuda a explicar a redução do engajamento médio em conteúdos puramente informativos e o maior interesse por formatos que explicam como investir na prática.

Mais escala, mais critério e mais transparência

Mesmo com o crescimento do número de influenciadores, perfis e publicações, o relatório aponta que a atenção do público se fragmentou. O desafio dos influenciadores financeiros passou a ser menos relacionado ao volume de conteúdo e mais à relevância e à qualidade das informações oferecidas.

A 9ª edição do Finfluence também avançou na análise qualitativa dos rankings, passando a indicar se os influenciadores presentes nas listas possuem certificações do mercado financeiro. A iniciativa amplia a transparência para o público e reforça boas práticas na produção de conteúdo sobre investimentos.

O Finfluence 9 mostra um ecossistema mais amplo, diverso e maduro, em que a influência financeira nas redes sociais é cada vez mais associada à capacidade de orientar decisões, acompanhar a jornada do investidor e fortalecer a confiança entre mercado e público.